O que um chinelo popular e um relógio suíço têm em comum?

Rotas Comunicação - O que um chinelo popular e um relógio suíço têm em comum?

Frequentemente, recebo empresários na agência que acreditam que “Assessoria de Imprensa” é para quem vende luxo ou, o oposto, “para quem precisa de massa”. A verdade é que a comunicação estratégica não distingue preço; ela distingue valor.

Trago hoje dois cases mundiais, alguns ndos muitos que copstumamos analisar aqui na agência . Um vende exclusividade de cinco dígitos; o outro, um item básico que está em quase todo lar brasileiro. Ambos, porém, se tornaram impérios globais e usam a mesma ferramenta: a comunicação validada pelo consumidor e pela imprensa e a presença em espaços de poder.

1.  ROLEX

A Rolex vende a custódia do tempo. Mas como uma marca sustenta um valor de mercado intocável e filas de espera que duram anos? A resposta não está apenas na engenharia, que é impecável por sinal. Está na sua estratégia.

A Rolex raramente grita. Ela está. Ao se posicionar como o relógio oficial de Wimbledon (uma parceria que vem desde 1978) ou da Fórmula 1, a marca se torna parte da infraestrutura de um evento desse nível.

A grife utiliza o que chamamos de validação por associação. Quando a imprensa transmite a final de um Grand Slam, ela é a autoridade que mede a performance dos campeões.

Dessa forma, mantém uma percepção de valor única e forte. Um modelo não sofre depreciação; ele é tratado como uma relíquia, preciosidade. Isso é segurança e proteção de marca feita através de décadas de consistência narrativa na mídia.

2. HAVAIANAS e o “tapete vermelho”

Do outro lado temos as Havaianas. Até os anos 90, era um produto commodity, focado em preço baixo. Hoje, é um ícone fashion global vendido em boutiques de Paris e Nova York.

A virada? A empresa mudou a conversa. A estratégia da Havaianas foi brilhante: tirou o produto da prateleira de limpeza e o colocou no gift bag dos indicados ao Oscar.

Eles entenderam que para valorizar o produto, precisavam gerar narrativa, legado e mudar quem o validava. Ao investir em estratégias com imprensa e celebridades internacionais e garantir que essas fotos saíssem em revistas de alto nível (Vogue, People, Caras), eles criaram uma nova verdade.

O chinelo, portanto, que custava centavos passou a ter edições especiais com cristais Swarovski. A narrativa de “Brasilidade Cool” permitiu que eles aumentassem a margem de lucro e entrassem em mais de 100 países.

O que a sua empresa aprende com isso?

Seja você uma construtora de alto padrão ou uma rede de franquias popular, a lição é a mesma: o mercado compra a história que o consumidor formador de opinião ou a imprensa validam.

Essas marcas que citei fizeram isso pautando a mídia, ocupando espaços editoriais e transformando seus produtos em notícia.

Se o seu produto é bom, qualidade é obrigação. Se você quer que ele seja desejado e líder, você precisa de narrativa. Vale a reflexão.

 

Com carinho,

Larissa Andrade

Diretora da Rotas Comunicação