A assinatura humana em tempos artificiais

Rotas Comunicação - A assinatura humana em tempos artificiais

Vivemos um paradoxo curioso na comunicação corporativa. Nunca tivemos tantas ferramentas capazes de gerar textos gramaticalmente corretos em segundos, e, no entanto, nunca a comunicação pareceu tão padronizada e, podemos até dizer, tão previsível.

Se você tem a sensação de que está lendo o mesmo texto repetidas vezes, você não está sozinho.

Estamos testemunhando a “commoditização da linguagem”. É o efeito colateral do uso indiscriminado e sem curadoria da Inteligência Artificial. De repente, executivos, marcas e líderes de opinião começaram a soar o “mais do mesmo”.

E “neste cenário…”

Existe um dialeto específico da IA que o leitor atento — e o mercado consumidor exigente — já aprendeu a identificar e, inconscientemente, a ignorar.

São textos recheados de muletas linguísticas que tentam simular profundidade. Você conhece os clichês: frases que começam invariavelmente com “Neste cenário de transformação…”, ou “Neste movimento”,  “Com base neste conceito…”. E, talvez o mais exaustivo de todos, a construção retórica pseudofilosófica: “Não é sobre vender produtos, é sobre entregar experiências…”.

Essas fórmulas, embora corretas sintaticamente, são vazias de alma. Elas preenchem espaço, mas não ocupam a mente. Quando todos usam as mesmas construções, a identidade da sua marca se dissolve em uma mancha de obviedades.

A IA é copiloto, você lidera

Não nos entenda mal. Na Rotas Comunicação, somos entusiastas da tecnologia. A Inteligência Artificial é uma ferramenta extraordinária e necessária. Ela é imbatível para organizar pensamentos caóticos, agilizar pesquisas (para a checagem humana), estruturar tópicos, acelerar processos de pesquisa e limpar a sintaxe.

A IA é um excelente assistente de redação. Mas, entenda, ela é um péssimo diretor de criação.

O algoritmo opera com base em probabilidades e padrões preexistentes. Ele entrega o “médio”, o “esperado”, o “seguro”. A liderança, a inovação e a construção de marcas fortes, por outro lado, exigem o inesperado, o risco, a visão única e até mesmo a beleza da vulnerabilidade. A IA não tem vivência, não tem cicatrizes, não tem ironia, não tem o feeling do momento cultural, não caiu e não sentiu o gosto da vitória ao dar a volta por cima e seguir em frente. Ela não tem a sua assinatura.

O genuíno

Hoje o que é genuíno é o novo artigo de luxo.

Um texto que carrega a identidade real de uma empresa ou de um líder pode ter uma frase mais longa, uma palavra inusitada, uma analogia ousada que foge do padrão da máquina. Mas é exatamente nessa “imperfeição” calculada que reside a humanidade. É isso que gera conexão e a energia para quem está do outro lado da tela.

O leitor quer uma voz real. Ele quer saber o que você pensa, não o que o banco de dados compilou como a resposta mais provável.

Retome a sua identidade

O convite que fazemos é: usem a tecnologia a seu favor, mas não terceirizem a sua essência.

Use a IA para criar o esqueleto, mas garanta que  o coração do texto seja seu.

Revise, reescreva, insira a sua opinião, erre se necessário, mas seja humano. Se o texto soa como algo que qualquer um poderia ter escrito, então ele não serve para você.

Estamos rodeados por algoritmos. Por isso, ter uma assinatura é estratégia de sobrevivência e de diferenciação.

Solte a sua (própria) voz.