2026: Na era da ressonância, o que vale mais do que o produto?

Rotas Comunicação - 2026: Na era da ressonância, o que vale mais do que o produto?

Ao olhar para o horizonte de 2026, percebo que entramos definitivamente na era “pós-consumo para o consumo”. Se nas décadas passadas a batalha era travada nas prateleiras pela melhor funcionalidade ou pelo menor preço, hoje a competição está na mente e, principalmente, no coração do consumidor.

Como profissional de comunicação com 3 décadas de experiência, observo diariamente uma mudança sísmica que atravessa todas as gerações — dos Baby Boomers à Geração Alpha. E se engana quem pensa que o que une esses grupos demográficos distintos é a tecnologia que usam. A união está no que eles buscam por meio dela: significado, verdade e humanismo.

Sejamos francos: quanto se vende qualidade técnica e alto padrão em 2026, esses fatores já não são um diferencial;  são o “preço do ingresso”. Ninguém é aplaudido por entregar um produto que funciona, compatível com o preço. O que faz um cliente pagar 30%, 50% ou até 200% a mais por uma marca é a aura de confiabilidade e a experiência que aquela marca projeta.

O consumidor moderno desenvolveu um “radar de autenticidade” extremamente sensível, inclusive quando ele analisa um texto (assim como você, ele sabe, muitas vezes, o que saiu da IA). Ele quer saber o que está por trás do CNPJ. Quem são as pessoas? Quais são os valores? A marca é humana, com seus erros, acertos e vulnerabilidades, ou apenas é uma fachada corporativa? O luxo contemporâneo não é o excesso, ele é a ética e a voz genuína somada à estética.

É aqui que a comunicação estratégica se torna o coração do negócio. Para vender o inédito e o único, o bom é regra; é preciso ser e mostrar que é imprescindível. E isso se constrói em etapas, como:

1. A autoridade. O consumidor já está cansado do “mais do mesmo”, de fake news, de conteúdos patrocinados repetitivos. A mídia tradicional (aquela que lá atrás andava caidinha) e o jornalismo sério ganharam um peso grandioso: o da curadoria da verdade. Quando um comprador vê o nome de um CEO ou de uma marca estampada em um jornal, revista ou portal de credibilidade — ele entende de forma subliminar como um “selo de garantia”. É a sociedade validando a sua relevância.

2. A narrativa. O produto é tangível, mas o valor é intangível. O que desequilibra o valor real, o que torna algo “caro” ou “barato”, é a história que envolve aquele objeto e as experiências envolvidas. O consumidor de 2026 está disposto a investir alto, desde que sinta que está comprando parte de um legado, de uma inovação ou de um propósito (arte, cultura, lazer de qualidade, bem-estar, etc). A comunicação é a ferramenta que transforma commodities em objetos de desejo.

3. A coerência. De nada adianta uma matéria incrível no jornal se, ao clicar no link, o cliente cai em um site confuso ou em uma rede social com linguagem amadora, ou não recebe um bom atendimento quando precisa. A “linguagem tratada, inédita, exclusiva e moldada com carinho” que mencionamos é a coerência. O consumidor precisa sentir que a sofisticação que ele leu na reportagem continua viva no atendimento do WhatsApp, no design do Instagram, no atendimento presencial, nos detalhes singelos e na usabilidade do site. A dissonância cognitiva (a diferença entre o que se diz e o que se vê e se sente) é assassina de vendas de alto valor.

Em 2026, a moeda mais forte do mundo não é a libra, o dólar ou o euro, é a confiança.

As marcas que entenderem que o humanismo é a estratégia de negócios mais inteligente da década, serão as líderes. O consumidor quer pertencer. Ele quer se ver na marca. E ele só vai se abrir para quem, antes de vender um produto, souber contar a sua verdade.

Porque produtos expiram, mas histórias bem contadas duram para sempre.

Feliz 2026, com belíssimas histórias, é claro.

Com carinho,

Larissa Andrade, Diretora da Rotas Comunicação