O reflexo da comunicação na era da “Ditadura do Clique”
Artigo por Larissa Andrade | Jornalista, diretora da Rotas Comunicação.
A tela do nosso celular transformou a comunicação que, hoje, muitas vezes é usada para moldar a percepção da felicidade e do sucesso, gerando uma pressão social.
Vivemos na “economia da atenção” e que se alimenta da nossa insegurança. Algoritmos de engajamento, filtros que remodelam rostos e corpos em tempo real, a escolha incansável e a curadoria de fotos e de vidas “perfeitas” criam uma realidade paralela onde a validação social se tornou moeda.
A vida real deixou de ser aproveitada por muitos para se tornar uma performance constante de posts estrategicamente elaborados para atrair aprovação.
O colapso da autoestima
Uma pesquisa da Royal Society for Public Health no Reino Unido apontou que plataformas sociais estão diretamente ligadas a taxas mais elevadas de ansiedade, depressão, solidão e, principalmente, dismorfia corporal em jovens. O estudo destaca que a exposição contínua a imagens e lifestyles irreais provoca uma espiral de comparação e inadequação. Não é mais sobre “ser bom”, mas sobre “parecer bom” aos olhos da audiência.
No Brasil, relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2024 revela um crescimento preocupante nos diagnósticos de transtornos de ansiedade e depressão, com uma correlação com as mídias sociais, especialmente entre adolescentes. Ao postar apenas momentos “considerados perfeitos”, e o filtro dos padrões sociais, o choque com a realidade é inevitável.
A sensação de inadequação crônica, a obsessão pela aparência e a busca constante por validação externa podem corroer a autoestima a tal ponto que a pessoa se sente invisível, isolada e sem valor. Esse tipo de comunicação digital, ao invés de conectar, ironicamente, pode aprofundar um abismo de solidão.
Esta é uma angústia real e perigosa. A busca incessante por um ideal, que é, na verdade, um fantasma digital, pode levar a um profundo desespero e, em casos extremos, a pensamentos suicidas.
A Responsabilidade da Comunicação: AUTENTICIDADE
A responsabilidade da comunicação é fundamental. Não se trata de criticar a tecnologia, pelo contrário, mas de desafiar os paradigmas da comunicação introduzida nela.
E neste período, às vésperas do Setembro Amarelo, é fundamental refletir e entender o impacto do que cada um comunica na vida das pessoas, por meio de redes e canais.
O propósito é criar ambientes genuínos – real e virtual e ideais para TODOS, onde as pessoas se sintam seguras para serem quem são, sem a necessidade de performance.
É tempo de buscar a conexão na essência e de aceitar a “felicidade”, de cada um de nós, mesmo que outros acreditem ser imperfeição .
É tempo de respeitar e abrir a mente para encontrar beleza fora de padrões.
É hora de, verdadeiramente, cuidar da saúde mental.
A comunicação é a essência e o seu papel pode ser MUITO POSITIVO e não “fake”, depende de você. Afinal, o que é verdade? Lembre-se: o que é perfeito pra você pode não ser perfeito para o outro. Pode ser, inclusive, avassalador. Além disso, a individualidade é a beleza da vida.
A comunicação deve ser usada para construir uma sociedade mais autêntica, resiliente e, acima de tudo, mais humana e feliz, em sua essência. É isso que, de fato, nos leva à evolução.